Terça-feira, Dezembro 25, 2007
Guirlandas de ouro em tempos de miséria
O casal de velhos que morava na rua Jacílio Nobre era conhecido pela prepotência e artificialidade que os regia. A mulher era uma moralista hipócrita que vivia a esconder-se atrás de máscaras sacras e de véus divinos. O homem não mais era que um esguio e alvo idoso que adorava luxos e piadas tolas. Certa vez, no natal, foram convidados a visitar a casa de parentes próximos. Ninguém acreditava que estivessem dispostos a visitá-los, e tampouco desejavam que estivessem, mas diferentemente do que costumava ocorrer desde os tempos mais longínquos, não declinaram o convite. Na hora marcada entraram à casa dos familiares com seu famoso semblante enojado e evitaram qualquer contato físico. Ao dono da casa entregaram um presente embrulhado em papel delicado e caro, que ao ser desembrulhado se revelou uma caixa metálica reluzente e leve. "Quanta gentileza, um panetone!" disse o homem prestes a perdoar o casal pela péssima educação. "Não, não, caríssimo! É apenas a embalagem de um" foi o que lhe disseram.
Publicado
por Diego Spagnuelo às
14:54
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